Mão assina um contrato com caneta sobre a mesa

Resposta direta

O contrato de jogador de e-sports precisa definir as partes, o tipo de contrato, o prazo, o salário, a premiação, o uso da imagem e da stream e a exclusividade. Também entram as regras de treino e da gaming house, a multa e as condições de saída.

Um contrato de jogador de e-sports precisa dizer, no mínimo: quem são as partes e o tipo de contrato, o prazo, o salário e a divisão da premiação, o uso da imagem e da stream, a exclusividade, as regras de treino e da gaming house, a multa e as condições de saída.

Como ainda não há lei feita só para o jogador de e-sports, o que está escrito decide quase tudo. Ponto que fica de fora vira negociação no pior momento: quando alguém quer sair.

Abaixo está a lista prática, cláusula por cláusula, para jogador e time conferirem antes de assinar. Para o lado do time, veja também o que organizar primeiro num time de e-sports.

O que o contrato diz sobre partes, prazo e dinheiro?

Quem assina e qual é o tipo de contrato

Nome e documento do jogador, CNPJ ou CPF de quem contrata e quem assina pelo time. O contrato também diz se é CLT, prestação de serviço ou parceria.

Essa escolha depende da rotina, não do nome no papel. O texto CLT, PJ ou parceria explica como decidir.

Prazo e renovação

Data de início e de fim, se o contrato renova sozinho e com quanto tempo de antecedência cada lado avisa que não quer renovar.

Salário, ajuda de custo e equipamento

Valor, dia do pagamento e forma de pagamento. Se o time fornece ajuda de custo, computador, periféricos ou internet, o contrato diz o que fica com o jogador e o que volta para o time no fim.

Premiação

Percentual do jogador sobre cada prêmio, se o cálculo é sobre o valor bruto ou depois de taxas e impostos, e em quantos dias o time repassa. Sem isso escrito, a divisão costuma virar disputa.

Como o contrato trata imagem, stream e patrocínio?

Nome, nick, voz e imagem

Onde o time pode usar a imagem e o nick do jogador, por quanto tempo e se há pagamento à parte por isso. O contrato também diz o que continua no ar e o que precisa ser retirado quando o vínculo acaba.

Stream e canais

De quem é o canal, quem fica com a receita das lives feitas com a camisa do time e se o time pode exigir horário de transmissão.

Se o jogador já tinha canal antes de entrar no time, o contrato deve dizer que o canal continua sendo dele.

Patrocínio pessoal

Se o jogador pode ter patrocinadores próprios, quais segmentos ficam proibidos por conflito com as marcas do time e como funciona a aprovação de uma publi pessoal.

Exclusividade

Quais jogos e competições a exclusividade cobre. Se o jogador pode disputar torneios por fora, jogar outra modalidade ou fazer conteúdo para outras marcas.

O que o contrato pode exigir de rotina e conduta?

Treinos, viagens e gaming house

Horários de treino, campeonatos obrigatórios e quem paga viagens e hospedagem. Se houver gaming house: regras da casa, quem paga as contas e em quanto tempo o jogador deixa a vaga quando o contrato acaba.

Punições

Quais condutas geram advertência, multa ou afastamento, e com que valores. Punição precisa estar escrita e ser proporcional.

O contrato também deve dizer o que acontece se a conta do jogador for suspensa pelo jogo ou se ele for punido pela organização do campeonato.

Como funcionam saída, multa e transferência?

A multa de saída deve ter valor ou forma de cálculo e prazo para pagar. Multa exagerada pode ser reduzida pelo juiz. Quando a relação é de emprego, a CLT também limita o que o time pode cobrar do jogador que sai antes do prazo.

Na transferência, o contrato diz em que janela ela é aceita, quem negocia com o outro time e para quem vai o valor pago pela liberação.

Liste também os motivos que permitem encerrar o contrato sem multa, como salário atrasado ou estrutura prometida que não foi entregue.

O que acontece no fim do contrato?

O contrato define a devolução do equipamento, o prazo para sair da gaming house, o destino dos posts e vídeos com a imagem do jogador e a entrega das contas e senhas que ele usava pelo time.

O que muda com jogador menor de idade?

O contrato precisa da assinatura dos pais ou responsáveis. Se houver pagamento, pode ser preciso pedir autorização ao juiz, como no alvará judicial para creators mirins.

O que conferir antes de assinar?

Peça o contrato com antecedência e não assine na pressa da véspera de um campeonato. Se uma cláusula não ficou clara, pergunte por escrito e guarde a resposta.

A advogada Amanda Modus revisa e escreve contratos de jogador de e-sports para times e jogadores. Você manda o documento, ela aponta os riscos e explica as mudanças para você negociar antes de assinar.

Se o problema já começou, como salário atrasado ou multa cobrada, o caminho é a notificação à outra parte e, se preciso, a ação.

Perguntas frequentes

O que não pode faltar no contrato de jogador de e-sports?
Prazo, salário e divisão da premiação, uso da imagem e da stream, exclusividade, regras de treino e da gaming house, multa e condições de saída. Se o jogador for menor de idade, também a assinatura dos pais.
A premiação do campeonato é do jogador ou do time?
É o que o contrato disser. Sem regra escrita, a divisão costuma virar disputa. Por isso o percentual e o prazo de repasse devem estar no contrato.
O time pode usar meu nick e minha imagem depois que eu sair?
Só no que o contrato permitir. O ideal é o contrato dizer quais conteúdos continuam no ar, por quanto tempo e o que precisa ser retirado.
Posso ter patrocínio pessoal jogando por um time?
Pode, se o contrato permitir. Em geral ficam proibidas as marcas concorrentes dos patrocinadores do time, e o contrato diz como aprovar uma publi pessoal.
A multa de saída pode ter qualquer valor?
Não. Multa exagerada pode ser reduzida pelo juiz. Quando a relação é de emprego, a CLT também limita o que o time pode cobrar do jogador que sai antes do prazo.
Jogador menor de idade pode assinar contrato?
Só com os pais ou responsáveis. Se houver pagamento, pode ser preciso pedir autorização ao juiz, como no alvará para creators mirins.
Fontes consultadas (2)
  1. Decreto-Lei 5.452/1943 (CLT), planalto.gov.br
  2. Lei 10.406/2002 (Código Civil), planalto.gov.br