Fileira de computadores e cadeiras gamer numa arena de e-sports

Resposta direta

Um time de e-sports deve ter por escrito o contrato de cada jogador e do staff, as regras de uso da imagem e da stream, as regras da gaming house, se houver, e uma empresa ou associação que assine tudo. A advogada Amanda Modus atende times e jogadores.

Um time de e-sports precisa de quatro coisas por escrito: um contrato com cada jogador e com o staff, regras sobre o uso da imagem e da stream, regras da gaming house (quando ela existe) e uma empresa ou associação para assinar tudo isso.

Sem esses papéis, a saída de um jogador, um atraso de pagamento ou uma briga entre sócios vira discussão de palavra contra palavra.

Ainda não há lei feita só para o jogador profissional de e-sports. Na prática, os contratos seguem o Código Civil e, quando a relação é de emprego, a CLT. Por isso o que o time escreve no contrato pesa tanto.

Por que ter contrato com cada jogador e com o staff?

Cada pessoa que joga, treina ou trabalha para o time precisa de um contrato próprio: jogador, coach, analista, manager. Combinado no Discord ou no WhatsApp não protege nenhum dos lados.

A primeira decisão é o tipo de contrato. Treino com horário, salário fixo e ordens do time podem caracterizar emprego, mesmo com contrato de PJ. O texto CLT, PJ ou parceria explica como escolher.

Depois vêm as cláusulas: prazo, salário, divisão da premiação, exclusividade e multa de saída. A lista completa está em cláusulas do contrato de jogador.

Quem pode usar a imagem, o nick e a stream do jogador?

O time quer usar a imagem do jogador em posts, uniformes e campanhas de patrocinador. O jogador quer manter a própria stream e os patrocínios pessoais.

O contrato precisa dizer onde o time pode usar a imagem e o nick, por quanto tempo e o que sai do ar quando o jogador vai embora.

Defina também quem fica com a receita das lives feitas com a camisa do time e quais marcas o jogador não pode anunciar, por conflito com os patrocinadores da organização.

As contas do time (redes sociais, canal e e-mail) devem estar no nome da organização, e não no celular de um jogador ou de um sócio.

Como tratar salário e premiação?

O contrato diz o valor, o dia do pagamento e o percentual de cada jogador sobre os prêmios, com o prazo de repasse.

Quando o pagamento atrasa, o jogador pode cobrar por escrito e, se o atraso continuar, sair do time recebendo o que é devido. Se houver vínculo de emprego, ele pode pedir a rescisão indireta na Justiça do Trabalho.

Como funcionam a saída e a transferência?

Outro time pode querer o seu jogador no meio da temporada. O contrato deve prever a multa de saída, com valor ou forma de cálculo, e a janela em que a transferência é aceita.

Multa exagerada pode ser reduzida pelo juiz. Quando a relação é de emprego, a CLT também limita o que o time pode cobrar do jogador que sai antes do prazo.

O que considerar na gaming house?

Se o time oferece moradia, as regras precisam estar por escrito: horários de treino e de descanso, visitas, quem paga as contas e em quanto tempo o jogador deixa a casa quando o contrato acaba.

Horário de treino imposto dentro da casa também pesa na análise de vínculo de emprego. A rotina da gaming house deve combinar com o tipo de contrato assinado.

O que muda com jogador menor de idade?

Contrato com adolescente exige a assinatura dos pais ou responsáveis. Se houver pagamento, pode ser preciso pedir autorização ao juiz, como no alvará judicial para creators mirins.

Se o adolescente for morar na gaming house, a autorização da família e as regras da casa devem estar por escrito.

O time deve ser empresa ou associação?

Sem CNPJ, os contratos ficam no nome de um dos fundadores, que responde com o próprio patrimônio se o time dever salário ou multa. Com uma empresa ou associação, quem assina e quem deve é a organização.

O passo a passo está em como formalizar uma organização de e-sports.

O que observar no regulamento de liga e campeonato?

Antes de inscrever o time, leia o regulamento do torneio: quem pode jogar, prazo para trocar jogadores, punições e regra de premiação.

O contrato com o jogador deve acompanhar essas regras. Por exemplo, dizendo o que acontece se ele for suspenso pela organização do campeonato.

Como funciona o atendimento?

A advogada Amanda Modus atende times e jogadores de e-sports. O caminho é este:

  1. Você manda o contrato, a proposta recebida ou conta a situação.
  2. A advogada aponta os riscos: vínculo de emprego, cláusulas que faltam, multa desproporcional e uso da imagem.
  3. Você recebe o contrato escrito ou as mudanças explicadas, para negociar antes de assinar.
  4. Se houver conflito, vem a notificação à outra parte e, se preciso, a ação. Quando a relação é de emprego, o caso vai para a Justiça do Trabalho.

Perguntas frequentes

Quando um time de e-sports precisa de advogado?
Antes de assinar o primeiro contrato com jogador ou staff, e quando entram patrocínio, gaming house ou um novo sócio. Também quando um jogador quer sair, um pagamento atrasa ou outro time faz uma proposta.
O time precisa ser empresa para contratar jogadores?
Não é obrigatório, mas ajuda. Sem empresa ou associação, os contratos ficam no nome de pessoas físicas, que respondem com o próprio patrimônio.
Jogador com contrato de PJ pode ser considerado empregado?
Pode. Treino com horário, salário fixo e ordens do time podem caracterizar emprego, mesmo com contrato de PJ. O que conta é a rotina real, não o nome do contrato.
O time pode usar a imagem do jogador depois que ele sai?
Só no que o contrato permitir. O ideal é o contrato dizer quais posts e vídeos continuam no ar, por quanto tempo e o que precisa ser retirado.
O que colocar nas regras da gaming house?
Horários de treino e de descanso, visitas, quem paga as contas, regras de convivência e o prazo para o jogador deixar a casa quando o contrato acaba. Tudo por escrito e assinado pelos moradores.
A advogada atende times de outras cidades?
Sim. A advogada Amanda Modus atende online times e jogadores de todo o Brasil, a partir de Maringá-PR.
Fontes consultadas (2)
  1. Decreto-Lei 5.452/1943 (CLT), planalto.gov.br
  2. Lei 10.406/2002 (Código Civil), planalto.gov.br