Resposta direta
Reúna fatos que se possam conferir: a mensagem do banimento, a lista de programas abertos na hora, gravações das partidas e o histórico e as compras da conta. Guarde tudo no original antes de mexer no computador. Só dizer que não usou quase nunca basta.
Para contestar um banimento por cheat que não foi usado, é preciso apresentar fatos que se possam conferir: a mensagem do banimento, o que estava aberto no computador, gravações das partidas e o histórico da conta. Dizer apenas "eu não usei" quase nunca basta.
Uma regra vale para tudo: guarde antes de mexer. Formatar o computador, trocar peças ou apagar arquivos pode destruir justamente a prova que ajudaria no caso.
1. O que a empresa mandou?
- Print da tela de banimento e o e-mail completo, com data e remetente.
- O motivo informado, com as palavras exatas.
- O número de cada ticket e as respostas do suporte.
Se o aviso não trouxe motivo, isso também é um dado. Anote.
2. O que estava aberto no computador?
Um programa comum aberto na hora da partida pode ser lido como trapaça pelo anti-cheat. Por isso, anote quais programas estavam rodando, como gravadores de tela, overlays e programas do mouse ou do teclado, e o que foi instalado nos dias anteriores.
Não desinstale nada antes de anotar. Se puder, tire print da lista de programas instalados, com a data.
Se o banimento foi no Valorant, veja também como contestar um banimento pelo Vanguard.
3. Você tem gravações das partidas?
- Replays e gravações completas, sem cortes, no arquivo original.
- Link e vídeo das lives, se a partida foi transmitida.
- Histórico de partidas da conta, com data e modo de jogo.
A gravação mostra o que aconteceu na tela e ajuda a contar a história da partida. Mas ela não substitui a prova técnica quando a acusação é de programa proibido.
4. Como provar o histórico e as compras da conta?
- Comprovantes de compra de jogos, skins, moedas e passes.
- Data de criação da conta e tempo de uso.
- Histórico de logins e de aparelhos, se a plataforma mostrar.
As compras mostram o valor da conta e que ela pertence a quem contesta. O histórico de logins ajuda se outra pessoa usou a conta ou se houve invasão.
Como organizar as provas?
Crie uma pasta com uma subpasta para cada tipo de prova. Dê aos arquivos nomes que comecem pela data, como 2026-10-17-print-banimento.png.
Mande cópias à empresa e guarde os originais sem editar. Editar ou renomear muda os dados do arquivo, como a data em que ele foi alterado.
Monte também uma linha do tempo curta: a última partida antes do banimento, o dia do aviso, o dia do ticket e o que o suporte respondeu.
Quando o caso precisa de perícia?
Se a discussão é técnica, como saber se um programa era mesmo trapaça, o juiz pode pedir uma perícia: um técnico analisa os registros e, às vezes, o próprio computador.
Isso pesa na escolha do caminho. O Juizado Especial (JEC), que é mais rápido, só julga causas simples. Se o juiz entender que a perícia é necessária, ele encerra o processo, e o caso precisa recomeçar na Justiça comum. Por isso, o computador e os arquivos devem ficar intactos desde o primeiro dia.
Qual é o caminho depois das provas?
Com as provas organizadas, a contestação segue quatro etapas:
- Ticket no suporte, pedindo o motivo e a prova. O passo a passo está em como recorrer de um banimento.
- Consumidor.gov.br ou Procon, só se a empresa tiver CNPJ no Brasil. Se não tiver, a advogada Amanda Modus faz um procedimento administrativo no exterior.
- Notificação extrajudicial, enviada pela advogada.
- Ação na Justiça. Empresa com sede no Brasil: dá para começar no Juizado Especial, com o risco da perícia explicado acima. Empresa sem sede no Brasil: direto na Justiça comum.
As etapas 1 e 2 podem ser feitas sem advogado quando a empresa tem CNPJ no Brasil.
A advogada Amanda Modus atua na notificação e na ação. Quando a conta vale menos de R$ 4.000 em jogos e itens, o Procon e o Juizado sem advogado tendem a ser a saída mais simples. Veja cada etapa na página de banimento de conta.







